TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM E OS PREJUÍZOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

E hoje temos na #specialweekdamarra, post com a participação da Fga. Silvia Letícia Ribeiro, que nos presenteia com um texto sobre TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM E OS PREJUÍZOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL.

Sinto muitas vezes que esse é um outro importante aspecto de angústia dos pais depois da fala, linguagem e comunicação. Saibam de suas inter-relações e da necessidade de detecção e intervenção precoces. Na dúvida, procure um Fonoaudiólogo.


A aprendizagem representa a capacidade de processar e armazenar as informações adquiridas e, ainda, relacioná-las ou evocá-las de acordo com nossa necessidade, sendo, assim, indispensável para o desenvolvimento e aprimoramento intelectual do ser humano. O aprendizado é um processo complexo, dinâmico e estruturado a partir de um ato motor e perceptivo, que, elaborado corticalmente, dá origem à cognição. (Soares e Col, 2010)


O ato de APRENDER é uma aquisição que se processa, nos seres humanos, através de uma sequência de mudanças evolutivas e constantes em seu comportamento. Ele assimila e transforma as informações para tomar decisões, agir, lidar com objetos e interagir socialmente, inventando, criando e redescobrindo. Para que isso aconteça, aspectos cognitivos de ATENÇÃO e MEMÓRIA são recrutados e são considerados fundamentais para a aprendizagem. (Ciasca,1991)


Em relação à aprendizagem específica das habilidades de Escrita e Leitura, devemos sempre lembrar que elas não são habilidades inatas ao ser humano. Sua aprendizagem é realizada em âmbito escolar através da exposição sistemática e formal aos componentes do código escrito.


Morais (1992) destaca que a leitura e escrita não são características genéticas do ser humano e que, sua aprendizagem, requer esforço e exposição a um ambiente estimulante.


As dificuldades de aprendizagem geralmente surgem no período de exposição da criança ao ensino sistemático e formal das habilidades necessárias para aquisição da linguagem escrita e leitura. Ela é um MARCADOR de RISCO para os distúrbios de aprendizagem e necessita da intervenção precoce para remediação e/ou identificação de um quadro de distúrbio de aprendizagem.


A identificação precoce pode minimizar os impactos no processo de aquisição da linguagem escrita e leitura e a velocidade de resposta apresentada pela criança à intervenção será o critério para o diagnóstico diferencial entre Dificuldade e Transtorno Específico de Aprendizagem (TEAp).


Os TEAp podem envolver o comprometimento em um ou mais dos seguintes domínios: leitura, expressão escrita e matemática. (DSM-V)


São indivíduos que apresentam dificuldades não esperadas nesses domínios apesar de não apresentarem deficiência intelectual, problemas emocionais, ambientais, sensoriais e neurológicos que sejam capazes de explicar tais dificuldades. Além disso, sempre devemos considerar que aspectos motivacionais e ambientes favoráveis para aprendizagem estejam presentes.


No que se refere ao desenvolvimento infantil, uma habilidade importante considerada por diversos autores como sendo co-requisito para aquisição do ler e escrever é a Consciência Fonológica (CF). Ela refere-se à habilidade de reconhecer, identificar ou manipular qualquer unidade fonológica dentro de uma palavra, seja ela uma rima, uma sílaba ou fonema. (Ziegler & Goswami, 2005 apud Andrade, Andrade & Capellini, 2015)


Seu desenvolvimento se dá a partir de um continuum, iniciando-se das unidades maiores, palavras, depois sílabas, passando pelas unidades intrassilábicas (rimas e aliterações), chegando por fim, às unidades menores, os fonemas.


Como já mencionado, a CF é considerada o preditor mais importante para o sucesso na aquisição da leitura e escrita.


E já que o tema é o impacto dos transtornos de aprendizagem no desenvolvimento infantil, é importante ressaltar que a estimulação precoce das habilidades de CF é o melhor indicador da presença de risco para os transtornos de aprendizagem.


A CF pode e deve ser estimulada desde o início com crianças pequenas através de cantigas e identificação de rimas, por exemplo.


Segundo CERVERA-MÉRIDA & YGUAL-FERNANDEZ, (2003) as habilidades de CF que podemos estimular respeitando a idade das crianças são:

Pesquisas demonstram que a identificação e intervenção precoces que tenham como foco as habilidades essenciais envolvidas na aquisição das habilidades de leitura e escrita, podem melhorar a performance de 70 a 90 % dos alunos que apresentam dificuldades na aquisição do código escrito.


Além disso, intervenção precoce é fundamental tanto no aspecto cognitivo quanto social. A plasticidade neuronal presente em crianças pequenas facilita o processo de aquisição tanto na quantidade quanto na qualidade, favorecendo a aquisição doas aspectos estimulados a partir das intervenções, minimizando as dificuldades de aprendizagem. (Andrade, Andrade & Capellini, 2015).


Silvia Letícia Ribeiro

Fonoaudióloga – CRFa. 2-10540

Mestre na área dos Transtornos do Espectro do Autismo pela USP

Formação em Dislexia pela USP

Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem pelo CEFAC

Treinamento Específico em Avaliação e Reabilitação nos Transtornos de Aprendizagem pela UNESP


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